Brasileirinho - Principal

Voltar ao Menu

SARAU 2007 - YAYÁ MASSEMBA

Estes poemas, escritos por estudantes da turma 1016 do Colégio Estadual Vicente Jannuzzi (Rio de Janeiro) a partir da música "Yayá Massemba" (Roberto Mendes - Capinam), gravada por Maria Bethânia no CD Brasileirinho, foram apresentados no evento Brasileirinho: Sarau de Filosofia e Poesia no Bosque, realizado no bosque da Barra da Tijuca, na tarde de 4 de setembro de 2007, dentro da continuidade ao Projeto Brasileirinho - Os Tons da Aquarela Cultural de nosso País.

2

Outra Yayá Massemba

(Damiane da Silva Trindade,
Manuela Monteiro da Silva,
Renan Aguiar Figueiredo e
Jorge Luíz da Silva Júnior)

O navio negreiro é
o tumbeiro de minha ilusão,
nele viajam meus sonhos,
minha saudade, meu coração.

O batuque das ondas,
é a tristeza, o tormento,
as correntes do calabouço,
a prisão e o sofrimento.

Se eu pudesse me libertar,
alcançar a proa e o timão,
voltaria para Luanda,
vida de minha carne, pedra do meu chão.

Porém sou negro cativo
capturado, uma caça,
minha alma é livre
e não há quem a enlaça.

Ontem eu estava em casa
hoje estou no mar
amanhã serei a mercadoria
que se vende pra lucrar

Talvez quem sabe um dia
o homem branco entenda a lição
que o negro capturado
é gente, tem coração

Nossa Terra Mãe África
é linda, a mais suprema,
nela cabem os filhos,
descendentes de Jurema.

Nossa religião é nobre e negra,
como o café desse país
bebemos da sua seiva
e sonhamos ser feliz.

Ainda estamos em alto mar
Castro Alves mesmo vê
do céu manda poemas
pra gente aprender a ler.

Eu ensino, vós ensinas,
meus irmãos, meus camaradas,
a leitura de cada dia,
a cultura da terra adorada.

Adeus meus amigos,
adeus distante amor.
O navio negreiro desta vida
é o preconceito de raça e de cor.

1

A vida em um navio

(Jonathan Morais da Silva)

Nasci em um navio
Numa escuridão sem fim
Onde por uma fresta
A luz do sol se refletia.
Meu alimento era pouco
Pois minha mãe não tinha
De onde tirar para me dar.
Eram dias difíceis,
Passei fome e frio.

Dentro de um navio
Muitas pessoas morrem,
Como as ondas que
Batem no casco
E nas costas do negro.
Vendo o navio no mar
Pensava em voltar,
Mas já era tarde demais
O navio estava longe do cais.
Não podíamos escapar,
Não podíamos enfrentar.
Construiremos outra vida,
Em outro país, outro lugar....